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O
filme “Antes de Partir” mostra um milionário sistemático que aprecia um
café muito especial e se admira quando sabe por um colega de quarto de hospital
a sua origem: “Kopi Luwak que é o café mais caro do mundo. No povoado
de Sumatra onde os grãos são cultivados existem os gatos de algalha.
Esses gatos comem os grãos, ingerem e depois defecam. Os aldeões
coletam e processam as fezes. É a combinação de grãos e sucos gástricos
destes gatos que dá ao Kopi Luwak o sabor e aroma que são únicos”.
O
café é o Kopi Luwak e o animal envolvido é um tipo de gato. O café que
ele come acaba saindo no estrume. E este café agora tem a ver com uma
realidade do Espírito Santo.
A
Pedra Azul é um marco da região de montanhas do Espírito Santo onde vem
se aprimorando ano a ano a produção de cafés especiais. E uma fazendo
perto do pé da pedra tem uma novidade.

Região
de montanhas do Espírito Santo – Pedra Azul
Venda
Nova do Imigrantes tem marcado a presença italiana que cultua bastante
as tradições culturais com origem na Europa.
Fazenda
Camocim fica a pouco mais de 10 quilômetros de Venda Nova, ainda que
esteja no município de Domingos Martins. São cerca de 300 hectares de
café e eucalipto, com boa parte da área ainda mato.
Toda
a produção no local é de café arábica orgânica. O jeito de colher café
da fazenda é diferente do convencional por duas coisas.
Primeiro
o café não vai no chão em cima de um pano vai direto para a peneira e
só se colhe o grão cereja ou o seco, o verde fica no pé. E uma outra
diferença é que chega uma hora que o colhedor deposita a peneira
debaixo do pé de café, e sai pela rua caçando, olhando, procurando um
outro tipo de grão.
“O
que você está pegando no chão”, pergunta o repórter.
“Eu
estou pegando o café do jacu. O jacu vem de manhã cedo, de madrugada e
como o nosso café é todo cheio de mata ele vem e come o café. E ele
passa por processo no intestino e fica desse jeito.

Bloquinhos
com o jacu coffee
Como
você pode ver, pegar na mão, ele não tem cheiro. A gente vai recolhe
com uma tipóia, com um bonar de pegar bagre e a gente vem, vai catando
separado e colocando dentro saco”, Márcio Bassani, trabalhador rural.
Ao
fim de cada período os colhedores repassam de seus bornais para um saco
o jacu coffee que conseguiram.
No
terrero suspenso os bloquinhos com o jacu coffee são esparramados para
esfarelar e soltar os grãos e ali ficam por até duas semanas. No ponto
certo da seca são embalados e ficam a espera do comprador.
”E
depois de beneficiado o jacu coffee fica diferente?”, pergunta o
repórter.
“Ele
fica com o mesmo aspecto, como se fosse um café convencional comum”,
diz Rogério Lenke, supervisor da fazenda.
Hoje,
no mesmo pé de café você colhe o cereja e também jacu coffee. No mesmo
pé de café tem os dois.
Como
é que começou esta história do jacu coffe?
A
fazenda é cercada por várias matas, mata virgem e o jacu começou a
migrar para comer o café e ia começar a dar prejuízo. Aí a gente chegou
a pedir autorização para com eses jacus. Daí veio a notícia do café da
Sumatra. Dái a a gente pegou o café de jacu fez um teste deu certo.

Plantio do
café
A
tarefa agora é do câmera Jorge de Souza. Vai ter que filmar o jacu, e
precisa mostrar que eles comem café e fazem o resto do serviço.
Não
foi difícil ver jacus alí em volta nas árvores, fazendo até aquela
zoada lá dentro. Um deles se coça, outro jacu na palmeira está
espiando. Será que ele veio pelo café, que nada, o que ele quer é comer
aquela semente mesmo.
Muitos
dias a gente conseguiu refilmar a seqüência toda, com a pressa da
reportagem aceitamos a oferta de filmar o jacu comendo o café que a
gente mesmo colocou no viveiro. E comeu mesmo, com gosto.
Em
coisa de 15 minutos foi ao ramo umas 10 vezes, quase nunca perdendo o
bote sem espanto ou aflição.
Se
engole o grão para aproveitar a polpa e o mel, o coco tem mesmo que
sair e só pode ser mesmo na forma de pé de moleque que a gente viu na
lavoura, o ciclo se fechou.
Henrique
Sloper de Araújo, formado nos Estados Unidos em comércio exterior é o
dono da fazenda Camocim.
“Qual
a diferença do jacu coffee para o café da Sumatra?”, pergunta o
repórter.
“A
diferença básica é o processo do animal. O Sumatra ele faz uma digestão
mais lenta, é um mamífero. O jacu ele faz a digestão muito mais
rápido”, explica o dono.
E
quanto que custa o jacu coffee? “Ele não tem preço. A gente faz o que a
gente pode em uma no, é uma coisa que a natureza nos dá, a gente não
tem certeza da quantidade que vamos produzir e a gente oferece aos
nosso clientes e daí faz um preço de acorodo com a procura deles”,
conta.
Já
em São Paulo, levamos o café jacu ao centro de preparação de café do
Sindicato da Cafeicultura de São Paulo. Quem vai prová-lo é a doutora
Eliana Almeida, engenheira de alimentos e juradas de concursos de café.
Levamos
o café jacu junto com o café da região do Espírito Santo, ambos apenas
numerados, sem que a doutora Eliana soubesse qual era um qual era o
outro.
Ela
começou cheirando o café torrado, sentiou as outras fases até armar a
mesa. Testou cada um mais de uma vez.
“Eu
gostei deste café, achei que ele está com baixa adstringência, bom
corpo, achei que ele é um café bem equilibrado, não tem nada nele que
ressalte. Número 1. Eu daria uma nota maior para o número 2. É raro
você comprar um café com esta complexidade, com esta leveza e este café
número dois, parece um licor. O gosto que fica depois é mais leve. Eu
daria uns 90 para o número 3 e 80 para o número 1”, afirma Eliana.
O
número dois é justo o café jacu.
O
café jacu, que é raro e caro, vai quase todo para a Europa e os Estados
Unidos. "
Café jacu: café especial
(Reportagem do programa Globo Rural
de 21.09.2008)
fotos- Pedro Jovchelevich
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